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Proibição de propaganda de bet no Brasil: o que muda e por quê

Gabriel C. Gregório
Por Gabriel C. Gregório
Atualizado em 30 de junho de 2026
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Tem uma bomba-relógio rolando no Senado e pouca gente sabe. Uma proposta para proibir propaganda de bet no Brasil já avançou na Comissão de Ciência e Tecnologia e agora espera um relator na CCJ. Não me entenda mal: não é “meio-proibição” nem restriçãozinha. A ideia é acabar com tudo — sem anúncio na TV, sem logo na camisa do time, sem nome de estádio, e nada mais.

Se essa proposta passar, a porrada vai pegar em todo mundo: do apostador de fim de semana ao clube de futebol que depende dessa receita para pagar as contas. Além disso, a discussão que ninguém tá respondendo direito em Brasília é direta: proibir propaganda protege mesmo o apostador ou só aumenta a vulnerabilidade dele nas mãos do mercado ilegal? Bora desmontar isso com calma, sem papinho político.

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De onde veio esse projeto e por que ele chegou até aqui

O texto original saiu do Senador Randolfe Rodrigues, com relatoria da Senadora Damares Alves. A justificativa vem pela saúde pública: a publicidade de apostas aumentaria o número de apostadores, atingiria populações vulneráveis e ajudaria a piorar endividamento e problemas mentais. Sendo assim, o debate costuma ficar duro quando alguém fala em vício em aposta.

Mas aqui eu vou ser direto: a gente não brinca com ludopatia. Além disso, no Clube da Aposta você encontra conteúdos educativos sobre o tema — inclusive um podcast com o psicólogo Rafael Ávila que trata pacientes com ludopatia. Dessa forma, dá para entender o risco sem transformar apostador em vilão e sem ignorar quem realmente precisa de ajuda.

Contudo, o projeto pega um caminho errado. Em vez de regular, educar e separar quem opera dentro da lei de quem tá na malandragem, ele quer simplesmente proibir tudo. Ou seja, remove marcas, apaga logos, reduz a presença das bets em uniformes e estádios e tenta cortar a presença em qualquer meio de comunicação.

A votação já passou na Comissão de Ciência e Tecnologia e agora tramita na CCJ há dois meses. Até a Secretaria de Prêmios e Apostas já ficou de cabelo em pé com essa ideia, e há um motivo bem concreto pra isso.

A dura verdade que ninguém gosta de encarar: seu futebol vive de bets

Não dá pra romantizar. O futebol brasileiro hoje depende desses contratos como nunca antes. Além disso, dos 20 clubes da Série A, 14 contam com operadoras de aposta como patrocinadoras. E, desses 14, 12 estampam a marca como master — aquela que fica no peito, a mais visível de todas.

Por exemplo, só o Flamengo recebe R$ 268 milhões por ano da Betano. Do mesmo modo, o próprio Brasileirão usa naming rights de operadores do setor. Portanto, o investimento total do segmento em mídia — TV aberta, TV paga, rádio e streaming — chegou a R$ 1,4 bilhão em 2025.

Sendo assim, se o projeto passar, essa “torneira” pode secar de um dia para o outro. Dessa forma, a queda de receita vai aparecer primeiro nos clubes menores, que já vivem apertado. Os grandes talvez consigam sobreviver com outros patrocínios, mas vão sentir no bolso, e o financiamento do esporte nacional sofre junto.

IMG002 Projeto Bets Senado Proibicao Publicidade Futebol Brasileiro

Os números que mudam o jogo — mas ninguém mostra

Dados do Ministério da Fazenda de janeiro de 2025 ajudam a colocar a conversa no chão. Segundo esses números, a Receita Bruta de Jogos (GGR) ficou em R$ 37 bilhões no ano. Além disso, o mercado legal registra 25,2 milhões de apostadores e tem ticket médio mensal em torno de R$ 120. Por fim, 95% dos usuários apostam menos de R$ 80 por mês.

Esse último dado muda a narrativa. Então, R$ 80 por mês para 95% dos apostadores é compatível com entretenimento — é o preço de duas idas ao cinema ou de um plano de streaming. Ou seja, a imensa maioria trata a aposta como diversão, exatamente como deveria ser.

Contudo, isso não apaga o problema. O vício existe, e ele é real. Porém, o perfil médio do apostador brasileiro fica bem longe da imagem de quem se afunda em dívida por causa de propaganda de TV.

O paradoxo que ninguém fala: proibir pode te jogar na clandestinidade

Aqui mora o ponto que mais gera discussão entre quem entende do negócio. Representantes do setor, como Darwin Filho da Esportes Gaming Brasil, afirmam que a publicidade é a ferramenta que diferencia quem opera dentro da lei de quem opera na malandragem. Portanto, quando você proíbe a propaganda, o operador legal perde visibilidade.

Ao mesmo tempo, o operador ilegal continua aparecendo — só que sem regra, sem fiscalização e sem controle de jogo responsável. Dessa forma, o apostador deixa de ter “régua” para escolher. Além disso, a ANATEL já derrubou mais de 25.000 sites ilegais de apostas. São 25 mil.

Se o apostador comum não sabe para onde olhar porque as casas legais não conseguem se anunciar, ele tende a cair com mais facilidade num site sem licença. E aí a proteção regulatória — com mecanismos de jogo responsável, limites de depósito e verificação de identidade — simplesmente desaparece. No fim, o resultado não é a proteção prometida. É exatamente o contrário.

Olha pra Itália: eles já testaram isso e deu errado

A Itália já passou por algo parecido. Em 2018, o governo aprovou o “Decreto Dignidade”, que baniu publicidade de apostas e jogos de azar no país. A intenção era boa: reduzir ludopatia e proteger consumidores vulneráveis. Contudo, a prática mostrou um efeito colateral previsível.

Na prática, o mercado ilegal explodiu. Operadores licenciados perderam seu principal canal de comunicação, enquanto sites sem licença continuaram rodando. Além disso, eles ficaram ainda mais fortes porque a demanda por apostas não sumiu — apenas ficou invisível. E, segundo relatos do setor, a proibição italiana não reduziu o número total de apostadores; ela reduziu a proteção de quem apostava.

É o mesmo risco que o Brasil corre agora, só que em escala maior. Então, se 25 milhões de pessoas já apostam no mercado regulado, fazer a propaganda desaparecer não faz essas pessoas pararem. Sendo assim, você apenas tira a capacidade de escolher com informação onde colocar o dinheiro.

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E você, apostador, como fica nessa história?

Se esse projeto seguir em frente, seu cenário como apostador muda completamente. Sem publicidade, você perde a capacidade de identificar rapidamente quais plataformas são legais, fiscalizadas e oferecem proteção. Além disso, o risco real vira migração silenciosa para sites sem regulação.

Esses sites não oferecem suporte em português, não respeitam limites de depósito e não entregam a mesma segurança. Portanto, eles não colaboram com mecanismos de fiscalização e não dão garantia nenhuma se der tudo errado.

Enquanto isso, especialistas defendem uma abordagem diferente: fortalecer a regulação que já existe. Dessa forma, você mantém canais de comunicação para que operadores legais se diferenciem, investe em educação financeira e programas de prevenção à ludopatia, e também intensifica a fiscalização contra o mercado ilegal. Ou seja, dá para proteger quem é vulnerável sem punir quem usa apostas como entretenimento responsável.

A boa notícia é que o texto ainda está em tramitação. A CCJ não definiu relator, o que significa que ainda existe espaço para mudanças — ou até para o projeto nem avançar. Sendo assim, vale acompanhar e se informar.

Enquanto isso, você pode agir agora. O melhor caminho é apostar em casas reguladas, conhecer seus direitos como consumidor e, principalmente, nunca colocar mais dinheiro do que você está disposto a perder. Isso não depende de lei. Depende de você.

Quer apostar com mais segurança em casas séria e reguladas? Crie sua conta na lista com as melhores casas de apostas para criar conta, testadas e aprovadas pelo Clubão. E, para complementar, sugerimos que você assista à nossa entrevista com um psicólogo especializado em ludopatia, Rafael Ávila.

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FAQ: dúvidas sobre proibição de propaganda de bet

Proibir propaganda de bet resolve o problema da ludopatia?

Não necessariamente. A questão central é que a demanda por apostas tende a continuar, e sem propaganda das casas reguladas o apostador pode migrar para sites ilegais, que oferecem menos proteção e menos controle de jogo responsável.

A proposta não poderia apenas restringir, e não proibir tudo?

Em teoria, uma regulação mais inteligente poderia separar comunicação de risco, exigir educação e reforçar controles. Porém, ao propor corte total da presença publicitária, o projeto tende a reduzir a capacidade do apostador de escolher com informação.

Como o apostador pode reduzir o risco enquanto a lei não muda?

Você deve apostar apenas em casas reguladas, respeitar limites de depósito, usar recursos de jogo responsável e manter um teto financeiro que não comprometa sua rotina. Além disso, vale acompanhar conteúdos educativos do Clube da Aposta.

Escrito por
Autor
Gabriel C. Gregório Criador de Conteúdo no Clube da Aposta

Olá, sou Gabriel, Gabigol ou Gabica, como preferir chamar. Como todo bom brasileiro, sonhei com a carreira de jogador, mas acabei ficando pelo caminho. Determinado a me manter ligado ao esporte, em 2015 fui atraído por um anúncio sobre um tal de trading esportivo. Mesmo com várias dúvidas, mergulhei nessa jornada e, em 2018, tomei a decisão de largar meu emprego formal como mecânico de aeronaves, para viver exclusivamente dessa atividade, no qual sigo exercendo até os dias atuais. Corinthiano fiel, mas enxergo o futebol como um todo, deixando o clubismo apenas para decisões de campeonatos e dérbis. Prestes a me formar em Jornalismo, além do trading esportivo, dou minhas canetadas falando e analisando futebol em minhas redes sociais.

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