A proibição das bets foi precedida por uma resposta da Fazenda informando que não havia identificado estudos específicos sobre os impactos de uma eventual proibição. Segundo o portal iGaming Brazil, a resposta foi formalizada em 24 de setembro de 2026, um dia antes da assinatura da medida provisória.
A ausência dessas estimativas deixa perguntas sobre os efeitos da medida na arrecadação, nos operadores e nos apostadores.
Estudos sobre a proibição das bets: o que a Fazenda informou
De acordo com a reportagem, a Fazenda comunicou que não identificou estudos especificamente destinados a avaliar os impactos econômicos, fiscais, regulatórios ou sociais de uma eventual proibição. Para estimar esses efeitos, seria necessário construir cenários hipotéticos, definir premissas econômicas e comportamentais e realizar estudos multidisciplinares.
As premissas fazem diferença porque o resultado depende, entre outros fatores, da reação de apostadores e empresas. Uma avaliação poderia considerar a redução da atividade, a possível migração para operadores não autorizados e os efeitos sobre as receitas públicas.
Há um limite na resposta atribuída à Fazenda: ela trata dos estudos naquele ministério. A informação, por si só, não prova que outros órgãos não tenham produzido análises ou reunido dados sobre o tema.
A resposta da Fazenda e a MP de 25 de setembro
A resposta antecedeu por um dia a assinatura da Medida Provisória nº 1.394, de 2026. A MP proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional, abrangendo apostas esportivas e jogos on-line. Outras modalidades lotéricas autorizadas por lei não foram incluídas nessa proibição.
A medida entrou em vigor na data de publicação e estabeleceu regras de transição para o encerramento das operações e a devolução de valores aos apostadores. Para acompanhar os prazos e eventuais alterações ou decisões judiciais, consulte o texto oficial e as orientações das autoridades.

Uma medida provisória tem força de lei e é submetida à análise do Congresso. A tramitação pode resultar em mudanças no texto, por isso assinatura e análise legislativa são etapas diferentes.
Sigilo de documentos não equivale à ausência de estudos
Documentos usados na elaboração da medida provisória foram mantidos sob sigilo por cinco anos pelo Ministério da Justiça.
As duas informações tratam de questões diferentes. A Fazenda informou não ter identificado estudos de impacto no escopo consultado; o sigilo se refere ao acesso a documentos preparatórios. Não é possível concluir que esses documentos contenham estudos de impacto ou que a resposta da Fazenda se refira a eles.
Sem acesso aos documentos, fica mais difícil conhecer as informações usadas na preparação da medida. O sigilo, porém, não permite presumir o conteúdo desses papéis.
Quais efeitos uma avaliação da proibição precisaria medir
O alcance de uma proibição depende do desenho da regra e da forma como ela é fiscalizada. Uma avaliação poderia comparar os efeitos da medida com os de outras opções, como alterações na regulamentação anterior das apostas esportivas.
O comportamento do público também importa. Parte dos apostadores poderia deixar de apostar, enquanto outra parte poderia procurar sites que não seguem as regras brasileiras. A possibilidade de migração, sozinha, não mostra quantas pessoas fariam essa escolha: seria preciso explicar os dados e as premissas usados para estimá-la.

Arrecadação, empregos e custos de fiscalização também poderiam entrar na análise, ao lado de possíveis benefícios de proteção à população. A falta de estudos informada pela Fazenda não prova que a proibição seja boa ou ruim, mas deixa perguntas importantes sem uma estimativa apresentada pelo ministério.
Estudos de impacto no debate jurídico e legislativo
A existência ou a ausência de análises sobre os efeitos da medida pode entrar na discussão sobre sua fundamentação e proporcionalidade, tanto no Congresso quanto em eventuais ações judiciais.
Isso não significa que a MP seja automaticamente inválida. A avaliação jurídica depende do texto da medida, das justificativas apresentadas pelo governo, das provas disponíveis e da análise das autoridades competentes.
Para as empresas do setor, a falta de estimativas públicas dificulta o planejamento. Os operadores precisam conhecer o alcance das regras e os prazos aplicáveis para avaliar contratos, investimentos e atendimento aos clientes.
Apostas, endividamento e a necessidade de dados
Os prejuízos associados às apostas provocaram preocupação no debate público brasileiro. Essa preocupação merece atenção: a ludopatia existe e pode causar danos financeiros e à saúde de quem enfrenta o transtorno.
Também é legítimo questionar quais dados sustentam afirmações de que as apostas seriam um dos principais fatores do endividamento dos brasileiros. A resposta atribuída à Fazenda aponta a ausência de estudos específicos sobre os efeitos de uma eventual proibição, mas não comprova a inexistência de pesquisas sobre endividamento nem determina, por si só, o peso das apostas nas dívidas das famílias.
Para acompanhar os desdobramentos da medida e outras notícias sobre apostas, continue no Clube da Aposta.
Dúvidas frequentes
FAQ: dúvidas sobre a proibição das bets
O que são apostas de quota fixa?
São apostas em que o valor do prêmio é definido por um multiplicador aplicado ao valor apostado, conforme as condições da aposta.
Um estudo sobre endividamento pode existir sem avaliar os efeitos de uma proibição?
Sim. Uma pesquisa pode examinar a relação entre apostas e dívidas sem estimar o que aconteceria caso a atividade fosse proibida. São perguntas diferentes e exigem análises próprias.
Que dados ajudariam a estimar a migração para sites não autorizados?
Uma estimativa poderia considerar pesquisas com apostadores, dados de acesso a plataformas e informações sobre fiscalização, desde que a metodologia e as limitações fossem apresentadas.
Priorize o Clubão no Google para encontrar nossas próximas análises — ou compartilhe esta com os parças.











