Contexto (novembro de 2026): esta conversa foi gravada antes da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Veja o que ficou vetado e os cenários da proibição.
Os bots de apostas ainda enfrentam muita resistência entre traders esportivos, inclusive do apresentador da conversa, que admite ter mudado de opinião depois de estudar banco de dados. Quem ajudou a explicar o caminho foi Luis Terra, trader esportivo que opera com bots e tem resultados que chamaram a atenção da mesa.
Você vai entender por que ele prefere mercados binários como o under, por que o modo de teste não basta e qual é o processo de validação que ele usa, do backtesting ao aumento gradual de stake.

Bots fazem o que não dá para fazer à mão
A conversa começa com um mea-culpa do Vini Bretz: as críticas aos bots, diz ele, muitas vezes vêm da falta de conhecimento sobre o assunto. Ao estudar banco de dados, ele passou a ter estratégias automáticas em teste que já mostram um caminho promissor. Para Luis, a função do bot é clara:
“Os meus bots, na sua grande maioria, fazem o que eu não tenho capacidade de fazer manualmente.”
Ou seja, o bot não substitui a análise. Ele executa, com disciplina e em volume, uma regra que o trader já testou.
Por que o under: a vantagem dos mercados binários
A maior parte dos bots de Luis opera o mercado de under, embora não só ele. A escolha tem a ver com o backtesting. Diferente do resultado final, que tem três desfechos possíveis, over e under têm apenas dois:
“Over e under é binário. É sim ou não, é zero ou um. Não tem um empate.”
Na prática, isso deixa a leitura dos dados passados mais limpa. Ele resume assim:
“Aquilo que é binário, quando tu vai buscar num banco de dados, tende a te dar uma resposta melhor do que aquilo que tem uma terceira variável no meio.”
Backtesting: o ponto de partida
Para estimar a probabilidade de um evento, Luis recorre a bancos de dados com temporadas passadas. Ele cita as ferramentas da Full Trader, com um banco de dados extenso, e conta que a plataforma de bots que usa também desenvolvia, na época da entrevista, uma base própria de backtesting.
A base própria resolveria um problema que ele enfrentou: tirar dados de uma plataforma e aplicar em outra. Por isso, antes de confiar na estratégia, ele precisou de um período de testes.
Por que o modo de teste não basta
As plataformas de bots oferecem um modo de teste, mas Luis não o considera fidedigno, porque ele ignora a liquidez do mercado. No simulador, a entrada e a saída acontecem sempre que os dados batem, haja ou não dinheiro disponível.
“O mercado não funciona assim. O mercado precisa de alguém do outro lado te correspondendo para tu poder sair ou entrar.”
A solução foi testar com dinheiro real, mas com stakes muito baixas, de R$ 2, R$ 2,50 e, em alguns casos, R$ 5.
O processo de validação, passo a passo
Luis descreve o método de forma genérica, mas com etapas claras:
- Definir a janela da entrada, por exemplo um under de um minuto até outro.
- Buscar no backtesting a probabilidade do evento e, a partir dela, a odd de referência.
- Lançar a regra no bot com os filtros abertos, sem restringir odds pré-jogo de casa, empate, fora, over ou under.
- Deixar rodar com stake baixa. Em dois ou três meses, o bot acumula milhares de entradas.
- Baixar o relatório em Excel, que traz dados como over e under 2,5 e as odds pré-jogo de casa, empate e fora.
- Filtrar as faixas de odds que dão lucro e as que dão prejuízo, e comparar o gráfico do modelo completo com o das melhores faixas.
- Aplicar os filtros no bot e aumentar a stake aos poucos.
Ele compara o gráfico do modelo bruto a um eletrocardiograma, cheio de altos e baixos. Depois dos filtros, a curva fica “saudável”. A partir daí, segundo ele, o único limite passa a ser a liquidez do mercado para stakes maiores. O apresentador acrescenta que o relatório funciona como um novo banco de dados, aplicado sobre a própria estratégia, para refinar o filtro.
“Método validado” e o preconceito com bots
Luis diz não se incomodar com críticas, inclusive em grupos de traders, e vê ainda muito preconceito com o uso de bots. Para ele, a discussão sobre o que seria um “método validado” perde sentido diante dos números:
“Tá te trazendo resultado. Acabou.”
Vale lembrar que, como em qualquer estratégia, resultados passados não garantem resultados futuros, e o mercado muda com o tempo. Por isso o acompanhamento contínuo dos relatórios faz parte do processo.
Conclusão: dados, paciência e stake crescente
O processo de Luis combina mercado binário, backtesting, teste real com stake baixa, filtros sobre milhares de entradas e aumento gradual de stake. Para o apresentador, quem já tem alguma experiência com banco de dados e bots tem, com esses conceitos, mais da metade do caminho andado. Veja também a outra conversa com ele sobre como separar o torcedor do trader.
“Em dois, três meses ele vai fazer 2.000, 3.000, 4.000 entradas. Aí tu tem um modelo preditivo.”
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Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre a validação de bots com Luis Terra
Por que Luis Terra usa bots principalmente no mercado de under?
Porque over e under são mercados binários, com só dois desfechos. Segundo ele, isso torna o backtesting mais confiável do que em mercados com um terceiro resultado, como o empate.
Por que não validar um bot só no modo de teste?
Porque o modo de teste ignora a liquidez: entra e sai sempre que os dados batem, mesmo sem alguém do outro lado. Luis prefere testar com dinheiro real e stakes baixas, de R$ 2 a R$ 5.
Quantas entradas são necessárias para avaliar um bot?
No processo descrito por Luis, o bot roda por dois ou três meses até acumular milhares de entradas. Só então o relatório é filtrado por faixas de odds.
Quando aumentar a stake de um bot?
Depois de filtrar as faixas lucrativas e ver uma curva de resultados estável. A partir daí, ele aumenta a stake aos poucos, até o limite de liquidez do mercado.
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