As apostas ilegais podem continuar em novos endereços mesmo depois que um site é bloqueado. Para Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, acompanhar o caminho do dinheiro também ajuda a identificar quem recebe pagamentos e a atingir os fluxos financeiros que sustentam essas operações.
Em entrevista à iGaming Brazil, publicada após a assinatura da medida provisória, Baptista falou sobre o encerramento das atividades, a devolução de valores e as exigências para empresas de pagamento. Para você, o recado é claro: não deposite nem aposte em plataformas sem autorização.
Como rastrear pagamentos dificulta as apostas ilegais
Na entrevista, Baptista defendeu que o combate a operadores clandestinos inclua o rastreamento dos fluxos financeiros. Derrubar um endereço na internet pode dificultar o acesso, mas não garante que a operação pare: os responsáveis podem tentar usar outros sites, contas ou intermediários para continuar recebendo pagamentos.
O rastreamento pode ajudar a identificar transações suspeitas, mapear relações entre contas e apoiar medidas de bloqueio. Essa frente complementa a fiscalização das plataformas; ela busca alcançar os recursos que sustentam as operações irregulares.
Segundo informações publicadas pela iGaming Brazil, uma força-tarefa federal também mirou contas e identificou valores bloqueados ligados ao mercado clandestino. A apuração ajuda a explicar por que bancos e empresas de tecnologia financeira participam das ações de fiscalização.
MP 1.394/2026: encerramento das operações e devolução de valores
A Medida Provisória nº 1.394/2026 estabeleceu o encerramento das operações de apostas de quota fixa no país e proibiu novos depósitos. Para as empresas, isso significa interromper a atividade e informar os saldos de cada apostador às instituições financeiras. Para quem tinha dinheiro em conta, a medida previu procedimentos e prazos para solicitar a retirada ou receber os valores devidos. O texto da MP nº 1.394/2026 detalha essas obrigações.
O prazo para pedir a retirada voluntária terminou em 5 de outubro. De acordo com o calendário divulgado pelo Ministério da Fazenda, as instituições financeiras devem devolver os valores aos apostadores entre 9 e 14 de outubro. Se houver dificuldade operacional que impeça a devolução pelos bancos, a Caixa Econômica Federal deve atuar como intermediária.

A MP também tem caráter provisório e segue o processo de análise legislativa. Portanto, empresas e usuários devem acompanhar comunicados oficiais para saber se haverá mudanças nas regras. Se você aguarda um valor, guarde comprovantes de depósitos, saques e conversas com o atendimento. Não siga orientações de perfis desconhecidos nem pague taxas antecipadas para liberar uma suposta devolução.
Pagamentos em canais menos transparentes dificultam a fiscalização
Quando plataformas autorizadas deixam de operar, parte da demanda pode migrar para canais clandestinos. Nesses casos, pode ser mais difícil identificar quem recebe o dinheiro, acompanhar as transações e cobrar uma solução quando há problemas.
Isso não torna sites irregulares uma alternativa aceitável. Ao contrário, reforça a necessidade de fiscalização e coordenação entre autoridades, instituições financeiras e empresas de pagamento, sempre conforme as regras aplicáveis.

Uma transação isolada também não prova, por si só, que alguém cometeu uma infração. O monitoramento e eventuais bloqueios precisam seguir critérios e procedimentos adequados, com apuração de cada caso.
Antes de apostar, confirme se a plataforma está autorizada
Em um site irregular, você pode ter mais dificuldade para contestar uma cobrança, recuperar valores ou comprovar uma transação. Por isso, não coloque dinheiro nem faça apostas em sites irregulares. Se não conseguir confirmar que a plataforma está autorizada a operar no Brasil, não deposite nem forneça seus dados.
- Consulte fontes oficiais para verificar se a plataforma está autorizada a operar no Brasil.
- Desconfie de pedidos de pagamento por canais não indicados no site ou aplicativo oficial da empresa.
- Guarde comprovantes de depósitos, saques e solicitações de atendimento.
- Não pague taxas antecipadas nem envie dados sensíveis para liberar uma suposta devolução.

Se você aguarda um valor, confirme as instruções diretamente com a empresa por canais oficiais. Evite links recebidos por mensagens e não compartilhe senhas, códigos de autenticação ou dados bancários com terceiros.
Bancos e fintechs ampliam os controles sobre transações
A proposta de Baptista também aponta para mudanças no trabalho de quem processa pagamentos. Bancos e fintechs precisam adaptar controles e monitorar operações para identificar riscos e responder a solicitações das autoridades.
O desafio é detectar padrões suspeitos sem tratar toda movimentação como irregular. Para você, controles mais atentos podem reduzir a circulação de recursos em canais clandestinos, mas não eliminam os riscos nem substituem a escolha de uma plataforma autorizada.
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Dúvidas frequentes
FAQ: dúvidas sobre pagamentos e apostas ilegais
A MP garante a devolução de prêmios que ainda não foram pagos?
O texto prevê a restituição de saldos disponíveis, valores de apostas consideradas sem efeito e prêmios devidos, conforme os procedimentos estabelecidos para a devolução.
O que acontece se o banco não conseguir devolver o valor?
O calendário informado pelo Ministério da Fazenda prevê que, quando houver dificuldade operacional que impeça a devolução pelos bancos, a Caixa Econômica Federal atue como intermediária.
A MP já encerrou definitivamente as apostas no Brasil?
Não. A medida provisória produz efeitos, mas ainda passa por análise legislativa e pode ser alterada durante esse processo.
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