Contexto (outubro de 2026): esta conversa foi gravada enquanto a regulamentação das apostas ainda tramitava no Congresso. Depois disso, a lei foi aprovada, o mercado regulamentado começou a funcionar e, em 2026, uma medida provisória proibiu as bets. Veja o que ficou vetado e os cenários da proibição.
Enquanto o Congresso discutia como regulamentar as apostas esportivas, Ricardo Fulltrader, criador da Full Trader e uma das principais vozes do trading esportivo no país, foi a Brasília levar o ponto de vista dos apostadores ao senador Jorge Kajuru. No Boteco do Clubão, ele contou o que ouviu — e por que saiu de lá pessimista.

Neste artigo, você vai entender por que Ricardo previa que a regulamentação sairia ruim para quem aposta, quem ele via como o lado mais forte da negociação e por que cobrava mais mobilização dos próprios apostadores.
Um senador que entendeu o jogo — mas que não decide sozinho
Ricardo conta que levou ao senador Jorge Kajuru as principais preocupações dos apostadores e encontrou alguém receptivo. Segundo ele, o parlamentar resumiu assim a intenção do projeto: regulamentar e fazer as casas de apostas pagarem impostos. Ricardo respondeu com o lado de quem aposta:
“Se o apostador não tiver como fazer grana, ele vai para fora. A gente sabe disso. A galera vai tacar VPN e vai operar lá fora, em offshore. Então vocês vão perder dinheiro dos apostadores.”
A conversa foi boa, mas não o suficiente para animá-lo:
“Se dependesse só dele, eu estaria otimista. Mas no contexto geral, eu estou bem pessimista, porque não depende dele. Você tem um monte de outros senadores e um monte de outros deputados.”
A regulamentação ia passar — o problema estava nas emendas
Para Ricardo, não havia dúvida de que a regulamentação seria aprovada. A disputa real estaria nos detalhes:
“Vai passar de forma unânime na Câmara e no Senado. Vai regulamentar, ponto. Só que terão emendas. E é aí que a gente precisa agir, porque cada senador põe uma emenda, outro deputado põe, porque todo mundo quer participar do negócio.”
E a previsão dele para o resultado era dura:
“Ela vai sair ruim, da pior forma possível. Depois que sair, vamos ter problemas. Vai ter evasão de apostadores para fora. Em algum momento o governo pode perceber isso e, depois de algum tempo, ter alguma mudança.”
Quem manda no processo, segundo Ricardo: as casas de apostas
Na avaliação de Ricardo, os apostadores não tinham o mesmo peso que as empresas na negociação:
“Quem tá mandando nesse processo aí não somos nós, apostadores, são as casas de apostas. Se as casas de apostas acharem que para elas tá bom o modelo que o governo colocar, vai passar aquele modelo.”
Milhões de apostadores, pouca pressão
O que mais incomodava Ricardo era a falta de mobilização. Ele lembrou que até falar do assunto tem custo para criadores de conteúdo, que perdem seguidores quando entram em política — e que ele mesmo foi criticado por conversar com um senador de um campo político específico. Para ele, o tema não é direita ou esquerda, e sim a regulamentação. E o potencial de pressão, na conta dele, era enorme:
“Nós somos, provavelmente, por alguns estudos, próximos a uns 10 milhões de apostadores. É muita gente. Esses caras dependem de voto para se reeleger. Se a galera entendesse o poder que tem, estaria pressionando.”
O número, uma estimativa citada por ele na época, contrastava com o tipo de reação que ele via nas redes:
“Infelizmente, as pessoas só querem criticar, xingar nos posts. Vão lá no post do senador, xinga o senador. É por isso que eu não tô otimista.”
Conclusão: um alerta feito antes das regras saírem do papel
Ricardo Fulltrader saiu de Brasília convencido de que a regulamentação seria aprovada, mas temendo que as regras deixassem o apostador sem condições de lucrar — e o empurrassem para fora do país. Na época, ele chegou a dizer que os apostadores deveriam ficar atentos a casas que atendessem brasileiros a partir do exterior. A própria fala dele terminou com cautela:
“Então, vamos ver, vamos ver. Não tô tão otimista, não.”
Observando o cenário de 2026, Ricardo acertou com a proibição das bets e a busca desenfreada de opções irregulares fora do país.
Importante: apostar em sites não autorizados expõe o apostador a riscos como bloqueio de saldo, ausência de proteção ao consumidor e golpes. Com a proibição em vigor, acompanhe o que ficou vetado e os próximos passos antes de qualquer decisão.
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Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre o alerta de Ricardo Fulltrader
O que Ricardo Fulltrader previa para a regulamentação das apostas?
Ele previa que a regulamentação seria aprovada com facilidade no Congresso, mas que sairia ruim para os apostadores, levando parte deles a apostar fora do país. Para ele, o governo só mudaria as regras depois de perceber essa evasão.
Por que ele estava pessimista depois de conversar com um senador?
Porque, embora o senador tenha entendido os argumentos dos apostadores, a decisão dependia de muitos outros parlamentares e das emendas que cada um apresentaria. Na visão de Ricardo, as casas de apostas tinham mais influência no processo do que os apostadores.
Quantos apostadores existiam no Brasil, segundo Ricardo?
Na época da entrevista, ele citou estudos que apontavam algo próximo de 10 milhões de apostadores — número que, para ele, mostrava o poder de pressão que o grupo teria sobre deputados e senadores.
É seguro apostar em casas fora do Brasil?
Não. Sites sem autorização para operar no Brasil não oferecem as garantias de proteção ao consumidor e podem bloquear saldos ou aplicar golpes. A menção de Ricardo a casas no exterior reflete a opinião dele na época, antes da proibição em vigor, e não é uma recomendação do Clube da Aposta.
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