Com a regulamentação das apostas esportivas no Brasil, duas perguntas passaram a circular entre os apostadores: as novas regras teriam sido feitas para tirar as empresas brasileiras do jogo? E a Caixa Econômica Federal vai mesmo ter a sua própria casa de apostas? No Boteco do Clubão, quem respondeu foi Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, associação que representou os apostadores durante o debate da regulamentação.
Neste artigo, você vai entender o que Rodrigo pensa sobre a entrada da Caixa no mercado, por que ele duvida da tese de que a regulamentação foi feita para quebrar as empresas nacionais e qual o papel das fusões e aquisições nesse novo cenário.

A Caixa vai ter casa de apostas? Sim, ela está entre os operadores autorizados
Rodrigo começou pela segunda pergunta — “de trás para frente”, como ele mesmo brincou — e foi direto:
“Sim. A Caixa é um dos operadores autorizados.”
Ele explicou que, na época da conversa, havia uma lista de cerca de 70 empresas autorizadas a operar — algumas em caráter definitivo e outras ainda de forma provisória. No caso da Caixa, a autorização seria provisória por questões de documentação, ressalva que ele mesmo fez com cautela:
“A gente tem uma lista hoje de, acho, 70 empresas, CNPJs, que estão autorizadas, algumas de maneira definitiva e outras de maneira ainda provisória. A Caixa, se eu não me engano, é provisória, mas por questão de documentação. Mas posso estar falando besteira.”
Para Rodrigo, o ponto positivo é que a Caixa chega como mais uma opção para o apostador, e não como a única:
“Que bom que vai ser só uma das opções do mercado, né? E não a única opção, como a gente vê em outros países.”
A regulamentação foi feita para quebrar as empresas brasileiras?
A polêmica levada ao Boteco era a de que as regras teriam sido desenhadas para prejudicar as operadoras nacionais. Rodrigo não compra essa tese:
“Se a regulamentação foi feita para tirar os brasileiros, eu não sei. Eu tenho minhas dúvidas.”
O motivo, segundo ele, é que o mercado brasileiro tem particularidades que tornam a presença de profissionais locais praticamente obrigatória — mesmo para quem vem de fora.
Nenhum operador estrangeiro chega sem brasileiros na equipe
Para Rodrigo, a burocracia e a legislação do país funcionam, na prática, como uma barreira que exige conhecimento local:
“Eu entendo que hoje é impossível um operador gringo querer vir para cá sem ter um monte de brasileiro envolvido na história. É muito o jeito brasileiro de fazer as coisas. A burocracia brasileira, a legislação, exige que de fato haja especialistas, pessoas que conheçam o nosso país.”
Ou seja: em vez de excluir os brasileiros, as regras acabam tornando a experiência local um ativo valioso para qualquer grupo que queira operar no país.
Fusões e aquisições: o atalho de quem chega de fora
Rodrigo lembrou que o mercado vive um momento de muitas fusões e aquisições. Ele citou o grupo NSX, da Betnacional, cuja aquisição pelo grupo Flutter, dono da Betfair, já havia sido anunciada. Na visão dele, esse movimento tende a se repetir com empresas brasileiras menores que já conquistaram a licença:
“Um operador que veio de fora, é mais fácil já pegar algo que tá constituído, prontinho, e fazer uma fusão do que começar o processo do zero, da estaca zero.”
Na prática, comprar ou se fundir a uma empresa brasileira licenciada oferece ao grupo estrangeiro:
- Uma licença já obtida, sem enfrentar todo o processo de autorização
- Uma estrutura constituída e pronta para operar
- Pessoas que conhecem a burocracia e a legislação brasileiras
Conclusão: sem protecionismo de nenhum dos lados
Para Rodrigo “Loco” Alves, a regulamentação não favoreceu operadores estrangeiros nem protegeu os nacionais. O resultado, na avaliação dele, foi um conjunto de regras mais equilibrado:
“Esse protecionismo aí acho que não teve de nenhum dos dois lados. Acho que as regras vieram de uma maneira mais democrática.”
E, sobre a bet da Caixa, o Boteco não deixou passar a brincadeira: se o banco não usar o bordão “é caixa, é green”, vai perder uma grande oportunidade. 😄
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Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre a regulamentação e a bet da Caixa
A Caixa Econômica Federal vai ter uma casa de apostas?
Sim. Segundo Rodrigo “Loco” Alves, a Caixa está entre os operadores autorizados a atuar no mercado regulamentado de apostas. Na época da entrevista, ele acreditava que a autorização era provisória por questões de documentação.
A regulamentação das apostas foi feita para prejudicar as empresas brasileiras?
Rodrigo tem dúvidas sobre essa tese. Para ele, não houve protecionismo de nenhum dos lados e as regras vieram de maneira mais democrática. Além disso, a burocracia e a legislação brasileiras tornam indispensável a participação de profissionais locais.
Por que operadores estrangeiros compram empresas brasileiras de apostas?
Porque é mais fácil aproveitar uma empresa já licenciada e constituída do que começar o processo de autorização do zero. Rodrigo citou como exemplo o grupo NSX, da Betnacional, cuja aquisição pelo grupo Flutter já havia sido anunciada.
Quantas empresas estão autorizadas a operar apostas no Brasil?
Na época da entrevista, Rodrigo estimou cerca de 70 empresas (CNPJs) autorizadas, algumas em caráter definitivo e outras provisório. O número muda com o tempo; a lista atualizada é divulgada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
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