Entrevistas

A regulamentação das apostas prejudicou as empresas brasileiras? Rodrigo “Loco” Alves responde e fala da bet da Caixa

No Boteco do Clubão, Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, comenta a entrada da Caixa no mercado de apostas e a tese de que a regulamentação teria sido desenhada para quebrar as empresas brasileiras.

Por Rodrigo “Loco” Alves e Gabriel "Gabica"
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Com a regulamentação das apostas esportivas no Brasil, duas perguntas passaram a circular entre os apostadores: as novas regras teriam sido feitas para tirar as empresas brasileiras do jogo? E a Caixa Econômica Federal vai mesmo ter a sua própria casa de apostas? No Boteco do Clubão, quem respondeu foi Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, associação que representou os apostadores durante o debate da regulamentação.

Neste artigo, você vai entender o que Rodrigo pensa sobre a entrada da Caixa no mercado, por que ele duvida da tese de que a regulamentação foi feita para quebrar as empresas nacionais e qual o papel das fusões e aquisições nesse novo cenário.

A Caixa vai ter casa de apostas? Sim, ela está entre os operadores autorizados

Rodrigo começou pela segunda pergunta — “de trás para frente”, como ele mesmo brincou — e foi direto:

“Sim. A Caixa é um dos operadores autorizados.”

Ele explicou que, na época da conversa, havia uma lista de cerca de 70 empresas autorizadas a operar — algumas em caráter definitivo e outras ainda de forma provisória. No caso da Caixa, a autorização seria provisória por questões de documentação, ressalva que ele mesmo fez com cautela:

“A gente tem uma lista hoje de, acho, 70 empresas, CNPJs, que estão autorizadas, algumas de maneira definitiva e outras de maneira ainda provisória. A Caixa, se eu não me engano, é provisória, mas por questão de documentação. Mas posso estar falando besteira.”

Para Rodrigo, o ponto positivo é que a Caixa chega como mais uma opção para o apostador, e não como a única:

“Que bom que vai ser só uma das opções do mercado, né? E não a única opção, como a gente vê em outros países.”

A regulamentação foi feita para quebrar as empresas brasileiras?

A polêmica levada ao Boteco era a de que as regras teriam sido desenhadas para prejudicar as operadoras nacionais. Rodrigo não compra essa tese:

“Se a regulamentação foi feita para tirar os brasileiros, eu não sei. Eu tenho minhas dúvidas.”

O motivo, segundo ele, é que o mercado brasileiro tem particularidades que tornam a presença de profissionais locais praticamente obrigatória — mesmo para quem vem de fora.

Nenhum operador estrangeiro chega sem brasileiros na equipe

Para Rodrigo, a burocracia e a legislação do país funcionam, na prática, como uma barreira que exige conhecimento local:

“Eu entendo que hoje é impossível um operador gringo querer vir para cá sem ter um monte de brasileiro envolvido na história. É muito o jeito brasileiro de fazer as coisas. A burocracia brasileira, a legislação, exige que de fato haja especialistas, pessoas que conheçam o nosso país.”

Ou seja: em vez de excluir os brasileiros, as regras acabam tornando a experiência local um ativo valioso para qualquer grupo que queira operar no país.

Fusões e aquisições: o atalho de quem chega de fora

Rodrigo lembrou que o mercado vive um momento de muitas fusões e aquisições. Ele citou o grupo NSX, da Betnacional, cuja aquisição pelo grupo Flutter, dono da Betfair, já havia sido anunciada. Na visão dele, esse movimento tende a se repetir com empresas brasileiras menores que já conquistaram a licença:

“Um operador que veio de fora, é mais fácil já pegar algo que tá constituído, prontinho, e fazer uma fusão do que começar o processo do zero, da estaca zero.”

Na prática, comprar ou se fundir a uma empresa brasileira licenciada oferece ao grupo estrangeiro:

  • Uma licença já obtida, sem enfrentar todo o processo de autorização
  • Uma estrutura constituída e pronta para operar
  • Pessoas que conhecem a burocracia e a legislação brasileiras

Conclusão: sem protecionismo de nenhum dos lados

Para Rodrigo “Loco” Alves, a regulamentação não favoreceu operadores estrangeiros nem protegeu os nacionais. O resultado, na avaliação dele, foi um conjunto de regras mais equilibrado:

“Esse protecionismo aí acho que não teve de nenhum dos dois lados. Acho que as regras vieram de uma maneira mais democrática.”

E, sobre a bet da Caixa, o Boteco não deixou passar a brincadeira: se o banco não usar o bordão “é caixa, é green”, vai perder uma grande oportunidade. 😄

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Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre a regulamentação e a bet da Caixa

A Caixa Econômica Federal vai ter uma casa de apostas?

Sim. Segundo Rodrigo “Loco” Alves, a Caixa está entre os operadores autorizados a atuar no mercado regulamentado de apostas. Na época da entrevista, ele acreditava que a autorização era provisória por questões de documentação.

A regulamentação das apostas foi feita para prejudicar as empresas brasileiras?

Rodrigo tem dúvidas sobre essa tese. Para ele, não houve protecionismo de nenhum dos lados e as regras vieram de maneira mais democrática. Além disso, a burocracia e a legislação brasileiras tornam indispensável a participação de profissionais locais.

Por que operadores estrangeiros compram empresas brasileiras de apostas?

Porque é mais fácil aproveitar uma empresa já licenciada e constituída do que começar o processo de autorização do zero. Rodrigo citou como exemplo o grupo NSX, da Betnacional, cuja aquisição pelo grupo Flutter já havia sido anunciada.

Quantas empresas estão autorizadas a operar apostas no Brasil?

Na época da entrevista, Rodrigo estimou cerca de 70 empresas (CNPJs) autorizadas, algumas em caráter definitivo e outras provisório. O número muda com o tempo; a lista atualizada é divulgada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

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Escrito por

Rodrigo “Loco” Alves, especialista convidado do Clube da Aposta

Rodrigo “Loco” Alves

Ex-presidente da ABAESP e apostador esportivo desde 2008

Rodrigo “Loco” Alves é formado em Direito e acompanha a comunidade brasileira de apostas esportivas desde 2008, quando passou a organizar uma das comunidades sobre o tema no Orkut. Anos depois, presidiu por cerca de cinco anos a ABAESP, associação que representou os apostadores esportivos brasileiros durante o debate sobre a regulamentação do setor.

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Coautoria

Gabriel "Gabigol", especialista do Clube da Aposta

Gabriel "Gabica"

Criador de Conteúdo no Clube da Aposta

Olá, sou Gabriel, Gabigol ou Gabica, como preferir chamar.

Como todo bom brasileiro, sonhei com a carreira de jogador, mas acabei ficando pelo caminho. Determinado a me manter ligado ao esporte, em 2015 fui atraído por um anúncio sobre um tal de trading esportivo. Mesmo com várias dúvidas, mergulhei nessa jornada e, em 2018, tomei a decisão de largar meu emprego formal como mecânico de aeronaves, para viver exclusivamente dessa atividade, no qual sigo exercendo até os dias atuais.

Corinthiano fiel, mas enxergo o futebol como um todo, deixando o clubismo apenas para decisões de campeonatos e dérbis. Prestes a me formar em Jornalismo, além do trading esportivo, dou minhas canetadas falando e analisando futebol em minhas redes sociais.

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