Entrevistas

O método de Gustavo Guffo para o Ambas Marcam: finalizações por gol, gols esperados e índice de referência

No Boteco do Clubão, Gustavo Guffo explica como monta seu método para o Ambas Marcam: por que finalizações por gol pesam mais que a média de gols, como usa os gols esperados e o que é o seu índice de referência.

Por Gustavo Guffo e Gabriel "Gabica"
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Contexto (outubro de 2026): esta conversa foi gravada antes da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Veja o que ficou vetado e os cenários da proibição.

O mercado Ambas Marcam parece simples: basta as duas equipes balançarem a rede. Mas, para quem aposta com método, escolher os jogos certos exige muito mais do que olhar a média de gols. No Boteco do Clubão, Gustavo Guffo, comentarista esportivo e analista que une leitura de jogo e dados, abriu como monta o seu método para esse mercado.

Neste artigo, você vai entender por que finalizações por gol pesam mais que a média de gols, como os gols esperados (xG) ajudam a medir o perigo de cada time e como funciona o índice de referência que decide se ele entra ou não em um jogo.

Os dados, não o gosto, definem o mercado

Guffo conta que o primeiro método que usou, o do primeiro gol do favorito, veio por indicação de Ricardo Fulltrader. Depois disso, a escolha de cada mercado passou a ser guiada pelos números. Foi assim, por exemplo, com os escanteios: ele lucrou com o mercado enquanto os dados sustentavam a estratégia e o abandonou quando o mercado mudou.

“Teve uma época que eu trabalhei muito cantos, e aí mudou muito o mercado de cantos e eu abandonei. Mas teve uma época que ganhei uma grana legal com cantos, porque me interessei pelos dados dos cantos.”

O ponto de partida do método para o Ambas Marcam

Antes de qualquer cálculo, Guffo exige duas condições básicas no jogo:

  • Uma boa probabilidade de as duas equipes marcarem pelo menos um gol
  • Uma boa probabilidade de over 1,5 gol — e, se houver boa chance de over 2,5, melhor ainda

Ele explica que não exige o over 2,5 como regra justamente para não restringir demais a seleção de jogos.

Por que finalizações por gol valem mais que a média de gols

O principal indicador do método não é quantos gols um time marca, e sim quantas finalizações ele precisa para marcar. Guffo baseia essa escolha em estudos de análise de dados no futebol:

“Vários estudos de analytics comprovaram que o peso da quantidade de finalizações que um time leva para fazer gol é maior do que a média de gols marcados. Se o seu time faz um gol a cada três finalizações, ele é mais perigoso do que se ele fizer um gol por jogo na média.”

O raciocínio é estatístico: uma média de um gol por jogo pode esconder muitas partidas sem gol, por causa da variação. Já uma média confiável de finalizações por gol indica com mais segurança a chance de o time marcar.

O custo do gol

Guffo chama esse indicador de custo do gol e usa faixas de referência para interpretá-lo:

  • 3 finalizações por gol: é o ponto de referência
  • Acima de 3: o gol começa a ficar caro
  • 4 ou 5: fica muito difícil o time marcar

Bayern x Corinthians de Carille: o papel dos gols esperados

Durante a conversa, Gabriel “Gabica” propôs um desafio: dois times com a mesma média de gols, um que finaliza muito, como o Bayern, e outro que finaliza pouco e converte bem, como o Corinthians da era Carille. Existe vantagem para algum lado? Para Guffo, a resposta está nos gols esperados (xG), que medem a qualidade das chances criadas:

“Os gols esperados vão nos dizer quanto aquele time é perigoso ou não: se ele consegue, com um fósforo, acender uma usina — se com duas chances ele mata o jogo — ou se ele precisa gastar uma usina para acender um fósforo.”

Nos exemplos ilustrativos dele:

  • Time que marca acima do xG (como o Corinthians de Carille, com xG baixo e mais gols do que o esperado): cria pouco, mas converte muito. É perigoso sempre que chega.
  • Time que marca abaixo do xG (como um Bayern com 17 a 20 finalizações por jogo e média de dois gols): produz uma montanha de chances, mas aproveita só uma parte.

No método do Ambas Marcam, o xG é o último filtro: ajuda a avaliar se a probabilidade de cada equipe marcar está acima ou abaixo do que os números brutos sugerem.

O índice de referência: dentro da faixa, aposta; fora, não entra

Todos esses dados — probabilidade de gols, finalizações por gol e xG — alimentam um índice que Guffo monta para cada método. É a parte final da sua análise pré-jogo, e ele insiste que trabalhar com dados é trabalhar com referências:

“Isso é trabalhar com dados: é referência. Você tem que ter uma referência.”

Dentro do índice existe um intervalo, com mínimo e máximo. Se o jogo cai dentro dele, Guffo aposta. Se fica acima ou abaixo, ele não entra — mesmo que os dados isolados pareçam promissores:

“Você fala: ‘Pô, esse jogo aqui tá bacana para apostar no Ambas Marcam’. Mas aí chega no meu índice de referência: opa, tá fora do índice de referência, eu não aposto.”

Conclusão: o método é um liquidificador de dados

O método de Gustavo Guffo para o Ambas Marcam combina três camadas: probabilidade de gols, eficiência nas finalizações e qualidade das chances. O que decide a entrada, porém, é a disciplina de respeitar o índice de referência. Ele resumiu o processo com uma imagem simples:

“Você joga no liquidificadorzinho para ver o que sai o suquinho. Se o suco tá gostoso, bora. Se não tá, você fala: ‘Não, não vou usar’.”

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Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre o método de Guffo para o Ambas Marcam

O que Gustavo Guffo analisa antes de apostar no Ambas Marcam?

Primeiro, uma boa probabilidade de as duas equipes marcarem e de o jogo ter mais de 1,5 gol. Depois, a média de finalizações por gol de cada time e os gols esperados (xG). Por fim, o jogo precisa cair dentro do seu índice de referência.

Por que finalizações por gol são mais importantes que a média de gols?

Segundo Guffo, estudos de analytics mostram que a quantidade de finalizações necessárias para marcar é um indicador mais confiável. A média de gols pode esconder muitos jogos sem gol por causa da variação.

O que é o custo do gol?

É quantas finalizações um time precisa, em média, para marcar um gol. Na referência de Guffo, acima de três o gol começa a ficar caro; com quatro ou cinco, fica muito difícil o time marcar.

Para que servem os gols esperados (xG) nas apostas?

Eles medem a qualidade das chances criadas. Comparar o xG com os gols marcados mostra se um time converte mais ou menos do que o esperado — informação que Guffo usa para ajustar a probabilidade de cada equipe marcar.

O que é o índice de referência de Guffo?

É um índice que reúne os dados escolhidos para cada método, com um intervalo de mínimo e máximo. Se o jogo fica dentro do intervalo, ele aposta; se fica fora, não entra, mesmo que outros dados pareçam favoráveis.

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Escrito por

Gustavo Guffo, especialista do Clube da Aposta

Gustavo Guffo

Com mais de duas décadas de vivência internacional e uma carreira consolidada como comentarista esportivo, Guffo transformou sua análise tática e estatística em um diferencial no mercado de apostas. Foi um dos convidados do nosso Boteco das Apostas e mostrou o porquê de ser uma referência quando o assunto é unir leitura de jogo, dados e disciplina para buscar valor real nas odds.

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Coautoria

Gabriel "Gabigol", especialista do Clube da Aposta

Gabriel "Gabica"

Criador de Conteúdo no Clube da Aposta

Olá, sou Gabriel, Gabigol ou Gabica, como preferir chamar.

Como todo bom brasileiro, sonhei com a carreira de jogador, mas acabei ficando pelo caminho. Determinado a me manter ligado ao esporte, em 2015 fui atraído por um anúncio sobre um tal de trading esportivo. Mesmo com várias dúvidas, mergulhei nessa jornada e, em 2018, tomei a decisão de largar meu emprego formal como mecânico de aeronaves, para viver exclusivamente dessa atividade, no qual sigo exercendo até os dias atuais.

Corinthiano fiel, mas enxergo o futebol como um todo, deixando o clubismo apenas para decisões de campeonatos e dérbis. Prestes a me formar em Jornalismo, além do trading esportivo, dou minhas canetadas falando e analisando futebol em minhas redes sociais.

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