Contexto (outubro de 2026): esta conversa foi gravada antes da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Veja o que ficou vetado e os cenários da proibição.
Carros de luxo, ternos, charutos e prints de green: a imagem que muitos influenciadores passam do mundo das apostas está longe da rotina real de quem aposta. No Boteco do Clubão, Danilo Martins, jornalista e tipster, falou sem rodeios sobre quem critica as apostas, quem ostenta e quem lucra com essa vitrine.
Neste artigo, você vai entender por que, para Danilo, a ostentação atrai principalmente jovens que acabam perdendo dinheiro, o que é revenue share e como ele tenta equilibrar seriedade e audiência nas redes.

Quem critica as apostas e por quê
Perguntado sobre o futuro das apostas no Brasil, Danilo dividiu os influenciadores críticos ao setor em dois grupos. O primeiro, segundo ele, é formado por quem tem medo de perder audiência para as apostas — como aconteceu antes com a bolsa de valores:
“Antigamente, há 5 anos, todo mundo queria estar na bolsa de valores. Aí todo mundo viu que a bolsa de valores tem várias imperfeições, que não é o mundo como vendiam. E aí a galera tá pulando de mercado.”
Para Danilo, essa migração tem raiz na desigualdade e na busca por dinheiro rápido:
“Como o Brasil é um país pobre, as pessoas sempre querem enriquecer rápido. Aqui não dá para você se apoiar numa carreira, porque se você não tiver uma família que tem dinheiro, é difícil você dar certo. Então todo mundo quer ganhar na Mega-Sena no fim das contas.”
O segundo motivo das críticas, na visão dele, é legítimo: o próprio meio passa uma imagem muito ruim para quem está de fora.
Carro alugado, terno alugado: a ostentação que não é real
Danilo descreve um padrão comum entre influenciadores de apostas:
“Você vê muito cara desfilando com carrão, desfilando com isso, desfilando com aquilo, atrelando o mundo das apostas a uma realidade que às vezes nem é a dele. Ele vai lá e aluga o carro para tirar foto, aluga o terno para tirar foto.”
Ele compara esse personagem ao protagonista da série Peaky Blinders — e não é um elogio:
“O cara quer ser tipo um Thomas Shelby das apostas, porque é uma coisa extremamente cafona e só consegue seduzir moleques de 18, 19 anos.”
O resultado, segundo Danilo, é um público de jovens que ganham pouco, depositam o salário nas casas de apostas e perdem tudo. E ele lembra, com ironia, que nenhum apostador que conhece tem o dinheiro do personagem da série.
Quem lucra com isso: o revenue share
Para Danilo, esse público é justamente o que mais interessa a esse tipo de influenciador:
“Para eles é ótimo, porque esses caras compram os produtos, esses caras gastam dinheiro nas casas de apostas e viram revenue share, que é uma comissão sobre as perdas do jogador. Então é um meio que tá todo errado.”
Ou seja: no modelo de revenue share, o influenciador ganha uma parte do que o seguidor perde. Quanto mais o seguidor perde, mais o influenciador recebe.
A corda bamba de quem quer ser sério e ainda assim ser visto
Danilo admite que ele mesmo precisa equilibrar credibilidade e apelo nas redes:
“Eu tenho que andar numa corda bamba entre ser um cara sério, mas ao mesmo tempo ser um cara que traz alguma coisa de legal. Eu não posto foto no meu carro, não posto foto ostentando, mas eu posto foto em um estádio da Europa legal, eu posto foto com o Neymar, porque se você também não faz isso, as pessoas não vão te ver.”
Ele lembra que conteúdos sérios e educativos sobre apostas costumam ter pouca audiência, e que são raros os que conseguem furar a bolha. A estratégia dele é atrair primeiro e educar depois:
“Eu seduzo ele para me seguir no Instagram e aí depois a gente lapida ele de uma forma que ele consiga estudar.”
Até os prints de green entraram na reflexão:
“Agora já estão falando que quem posta print de green é sacana. E eu também concordo. Eu falei: vou começar a postar menos print de green.”
Conclusão: desconfie da ostentação
Para Danilo Martins, a imagem de riqueza fácil vendida por parte dos influenciadores de apostas é falsa e serve, sobretudo, a quem lucra com as perdas dos seguidores. Quem quer apostar de forma séria precisa de estudo, não de fotos com carro alugado. Ele mesmo resumiu a dificuldade:
“É uma batalha imensa para você transitar e ser famoso num meio que tem muito pilantra.”
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Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre influenciadores de apostas
Por que tantos influenciadores de apostas ostentam riqueza?
Segundo Danilo Martins, a ostentação atrai principalmente jovens em busca de dinheiro rápido. Muitas vezes a riqueza nem é real: carros e roupas são alugados só para as fotos.
O que é revenue share nas apostas?
É um modelo de comissão em que o divulgador recebe uma parte das perdas dos jogadores que indicou para a casa de apostas. Para Danilo, isso cria um incentivo errado: quanto mais o seguidor perde, mais o influenciador ganha.
Por que Danilo Martins critica quem posta print de green?
Porque mostrar apenas os acertos passa uma imagem distorcida dos resultados. Ele concorda com a crítica e disse que passaria a postar menos prints de green.
Como Danilo Martins tenta atrair seguidores sem ostentar?
Ele evita fotos com carro ou ostentação e prefere mostrar experiências ligadas ao futebol, como visitas a estádios. Depois de atrair o seguidor, usa o dia a dia nos stories para mostrar a realidade das apostas e incentivar o estudo.
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