Entrevistas

As bets podem ser proibidas no Brasil? Rodrigo “Loco” Alves explica por que “não existe o não jogo”

No Boteco do Clubão, Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, avaliou a chance de as apostas serem proibidas no Brasil e defendeu a regulamentação como caminho. Veja os argumentos e o contexto atual.

Por Rodrigo “Loco” Alves e Gabriel "Gabica"
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Com tanta mídia negativa sobre as apostas esportivas, uma pergunta passou a rondar os apostadores: existe chance real de as bets serem proibidas no Brasil? No Boteco do Clubão, a questão foi levada a Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, que já havia debatido o tema com deputados e senadores em Brasília.

Neste artigo, você vai entender por que Rodrigo considera a proibição improvável, o que ele quer dizer com “não existe o não jogo” e por que ele defende a regulamentação como o caminho mais eficaz.

Importante: esta entrevista foi gravada antes da medida provisória que “proibiu” as bets no Brasil. As opiniões abaixo refletem a avaliação de Rodrigo na época. Para entender o cenário atual, veja o que ficou vetado, os prazos e os próximos passos da proibição.

Qual a chance de as bets serem proibidas? Para Rodrigo, era muito pequena

A pergunta veio em forma de nota: de 0 a 10, qual a chance de uma proibição das apostas no Brasil, considerando que a mídia tradicional quase só mostra o lado negativo do setor? Rodrigo evitou cravar zero, mas foi claro:

“De 0 a 10, eu não queria cravar zero, mas eu acho que a chance é muito pequena de proibir.”

Ele contou que já tinha levado esse argumento a deputados e senadores em Brasília, quando ainda presidia a associação que representava os apostadores.

“Não existe o não jogo”: as apostas existiam antes e continuariam existindo

O centro do raciocínio de Rodrigo é uma frase que ele fez questão de repetir:

“Não existe o não jogo. O jogo existe. Você pode ter conhecido isso recentemente, mas ele já existia.”

Para ilustrar, ele usou a própria trajetória como apostador:

“Quando eu falo do meu exemplo pessoal de 18 anos de apostas, não é nem para falar: ‘Nossa, como você é antigo’. É que eu quero mostrar que o negócio já existia quando você não imaginava. Era algo grande já.”

Na visão dele, uma proibição no papel não faria a maioria das pessoas parar de apostar — embora ele reconheça que parte delas pararia:

“Não é porque colocaram num papel ali que é proibido apostar que alguém aqui vai falar: ‘Não, beleza, não aposto mais’. Terão aqueles que sim deixariam de apostar, não tenho dúvida, mas o não jogo não é possível.”

Proibir não resolve: o caminho é a regulamentação

Para Rodrigo, além de improvável, a proibição seria um erro:

“Proibição não resolve nada, pelo contrário, piora. O caminho é o da regulamentação, que é o que aconteceu e que é o que acontece em todos os países de primeiro mundo.”

Ele citou Alemanha e Reino Unido como exemplos de países que optaram por regras em vez de veto: se o setor fosse tão problemático quanto parte da mídia sugere, argumentou, esses países não o permitiriam. Rodrigo não nega os problemas — ele defende que sejam combatidos dentro de um mercado regulado:

“Não é só uma questão cultural, é uma questão de ter regras bem traçadas. Vai ter jogo ilegal, vão ter práticas moralmente ofensivas, vão ter crime, sim. É por isso que tem que ser combatido, mas o jogo não tem como não existir.”

Regras claras e punições tendem a reduzir a mídia negativa

Na época da entrevista, o mercado regulamentado estava começando a funcionar, e Rodrigo apostava que isso mudaria o tom do debate:

“Agora justamente tem regras. Não é mais aquele oba-oba, e a partir de agora, se aparecer alguma coisa errada, existem as leis que proíbem. Aí você tá falando do cometimento de um crime, então há que haver a sanção devida.”

Segundo ele, quando surgirem exemplos concretos de punição, o clima tende a baixar. Ele comparou com a manipulação de resultados, que ganhou muita exposição com jogadores conhecidos envolvidos em esquemas revelados:

“Quero acreditar também que hoje em dia os casos de manipulação são muito mais escassos, mais raros, porque teve muita mídia em relação a isso.”

Na leitura de Rodrigo, depois de tantos casos expostos, o jogador passou a pensar várias vezes antes de aceitar participar de algo errado.

Conclusão: proibir não acaba com o jogo

Para Rodrigo “Loco” Alves, a aposta sempre existiu e continuaria existindo com ou sem proibição. O que muda é se ela acontece dentro de regras, com fiscalização e punição para quem as descumpre, ou fora delas. Na época, ele terminou otimista:

“Eu acho que daqui para frente tende a melhorar.”

Desde então, o cenário mudou com a medida provisória que proibiu as bets, hoje questionada no STF. Acompanhe os possíveis cenários da proibição.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre a proibição das apostas

Qual era a chance de as bets serem proibidas no Brasil, segundo Rodrigo “Loco” Alves?

Na época da entrevista, Rodrigo considerava a chance muito pequena, embora não quisesse cravar zero. Depois disso, uma medida provisória proibiu as bets no Brasil, e o tema está em discussão no STF e no Congresso.

O que significa “não existe o não jogo”?

É a ideia de que as apostas existem independentemente da lei. Para Rodrigo, proibir no papel não faz o jogo desaparecer: parte das pessoas para de apostar, mas o jogo continua existindo.

Por que Rodrigo defende a regulamentação em vez da proibição?

Porque, segundo ele, a proibição não resolve e pode piorar o problema. Com regras bem traçadas, como em países como Alemanha e Reino Unido, jogo ilegal, práticas abusivas e crimes podem ser combatidos e punidos.

A regulamentação ajuda a combater a manipulação de resultados?

Na avaliação de Rodrigo, regras claras e punições exemplares inibem práticas erradas. Ele acredita que, depois da grande exposição de esquemas envolvendo jogadores, os casos de manipulação se tornaram mais raros.

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Escrito por

Rodrigo “Loco” Alves, especialista convidado do Clube da Aposta

Rodrigo “Loco” Alves

Ex-presidente da ABAESP e apostador esportivo desde 2008

Rodrigo “Loco” Alves é formado em Direito e acompanha a comunidade brasileira de apostas esportivas desde 2008, quando passou a organizar uma das comunidades sobre o tema no Orkut. Anos depois, presidiu por cerca de cinco anos a ABAESP, associação que representou os apostadores esportivos brasileiros durante o debate sobre a regulamentação do setor.

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Coautoria

Gabriel "Gabigol", especialista do Clube da Aposta

Gabriel "Gabica"

Criador de Conteúdo no Clube da Aposta

Olá, sou Gabriel, Gabigol ou Gabica, como preferir chamar.

Como todo bom brasileiro, sonhei com a carreira de jogador, mas acabei ficando pelo caminho. Determinado a me manter ligado ao esporte, em 2015 fui atraído por um anúncio sobre um tal de trading esportivo. Mesmo com várias dúvidas, mergulhei nessa jornada e, em 2018, tomei a decisão de largar meu emprego formal como mecânico de aeronaves, para viver exclusivamente dessa atividade, no qual sigo exercendo até os dias atuais.

Corinthiano fiel, mas enxergo o futebol como um todo, deixando o clubismo apenas para decisões de campeonatos e dérbis. Prestes a me formar em Jornalismo, além do trading esportivo, dou minhas canetadas falando e analisando futebol em minhas redes sociais.

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