Com tanta mídia negativa sobre as apostas esportivas, uma pergunta passou a rondar os apostadores: existe chance real de as bets serem proibidas no Brasil? No Boteco do Clubão, a questão foi levada a Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, que já havia debatido o tema com deputados e senadores em Brasília.

Neste artigo, você vai entender por que Rodrigo considera a proibição improvável, o que ele quer dizer com “não existe o não jogo” e por que ele defende a regulamentação como o caminho mais eficaz.
Importante: esta entrevista foi gravada antes da medida provisória que “proibiu” as bets no Brasil. As opiniões abaixo refletem a avaliação de Rodrigo na época. Para entender o cenário atual, veja o que ficou vetado, os prazos e os próximos passos da proibição.
Qual a chance de as bets serem proibidas? Para Rodrigo, era muito pequena
A pergunta veio em forma de nota: de 0 a 10, qual a chance de uma proibição das apostas no Brasil, considerando que a mídia tradicional quase só mostra o lado negativo do setor? Rodrigo evitou cravar zero, mas foi claro:
“De 0 a 10, eu não queria cravar zero, mas eu acho que a chance é muito pequena de proibir.”
Ele contou que já tinha levado esse argumento a deputados e senadores em Brasília, quando ainda presidia a associação que representava os apostadores.
“Não existe o não jogo”: as apostas existiam antes e continuariam existindo
O centro do raciocínio de Rodrigo é uma frase que ele fez questão de repetir:
“Não existe o não jogo. O jogo existe. Você pode ter conhecido isso recentemente, mas ele já existia.”
Para ilustrar, ele usou a própria trajetória como apostador:
“Quando eu falo do meu exemplo pessoal de 18 anos de apostas, não é nem para falar: ‘Nossa, como você é antigo’. É que eu quero mostrar que o negócio já existia quando você não imaginava. Era algo grande já.”
Na visão dele, uma proibição no papel não faria a maioria das pessoas parar de apostar — embora ele reconheça que parte delas pararia:
“Não é porque colocaram num papel ali que é proibido apostar que alguém aqui vai falar: ‘Não, beleza, não aposto mais’. Terão aqueles que sim deixariam de apostar, não tenho dúvida, mas o não jogo não é possível.”
Proibir não resolve: o caminho é a regulamentação
Para Rodrigo, além de improvável, a proibição seria um erro:
“Proibição não resolve nada, pelo contrário, piora. O caminho é o da regulamentação, que é o que aconteceu e que é o que acontece em todos os países de primeiro mundo.”
Ele citou Alemanha e Reino Unido como exemplos de países que optaram por regras em vez de veto: se o setor fosse tão problemático quanto parte da mídia sugere, argumentou, esses países não o permitiriam. Rodrigo não nega os problemas — ele defende que sejam combatidos dentro de um mercado regulado:
“Não é só uma questão cultural, é uma questão de ter regras bem traçadas. Vai ter jogo ilegal, vão ter práticas moralmente ofensivas, vão ter crime, sim. É por isso que tem que ser combatido, mas o jogo não tem como não existir.”
Regras claras e punições tendem a reduzir a mídia negativa
Na época da entrevista, o mercado regulamentado estava começando a funcionar, e Rodrigo apostava que isso mudaria o tom do debate:
“Agora justamente tem regras. Não é mais aquele oba-oba, e a partir de agora, se aparecer alguma coisa errada, existem as leis que proíbem. Aí você tá falando do cometimento de um crime, então há que haver a sanção devida.”
Segundo ele, quando surgirem exemplos concretos de punição, o clima tende a baixar. Ele comparou com a manipulação de resultados, que ganhou muita exposição com jogadores conhecidos envolvidos em esquemas revelados:
“Quero acreditar também que hoje em dia os casos de manipulação são muito mais escassos, mais raros, porque teve muita mídia em relação a isso.”
Na leitura de Rodrigo, depois de tantos casos expostos, o jogador passou a pensar várias vezes antes de aceitar participar de algo errado.
Conclusão: proibir não acaba com o jogo
Para Rodrigo “Loco” Alves, a aposta sempre existiu e continuaria existindo com ou sem proibição. O que muda é se ela acontece dentro de regras, com fiscalização e punição para quem as descumpre, ou fora delas. Na época, ele terminou otimista:
“Eu acho que daqui para frente tende a melhorar.”
Desde então, o cenário mudou com a medida provisória que proibiu as bets, hoje questionada no STF. Acompanhe os possíveis cenários da proibição.
Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre a proibição das apostas
Qual era a chance de as bets serem proibidas no Brasil, segundo Rodrigo “Loco” Alves?
Na época da entrevista, Rodrigo considerava a chance muito pequena, embora não quisesse cravar zero. Depois disso, uma medida provisória proibiu as bets no Brasil, e o tema está em discussão no STF e no Congresso.
O que significa “não existe o não jogo”?
É a ideia de que as apostas existem independentemente da lei. Para Rodrigo, proibir no papel não faz o jogo desaparecer: parte das pessoas para de apostar, mas o jogo continua existindo.
Por que Rodrigo defende a regulamentação em vez da proibição?
Porque, segundo ele, a proibição não resolve e pode piorar o problema. Com regras bem traçadas, como em países como Alemanha e Reino Unido, jogo ilegal, práticas abusivas e crimes podem ser combatidos e punidos.
A regulamentação ajuda a combater a manipulação de resultados?
Na avaliação de Rodrigo, regras claras e punições exemplares inibem práticas erradas. Ele acredita que, depois da grande exposição de esquemas envolvendo jogadores, os casos de manipulação se tornaram mais raros.
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