Contexto (outubro de 2026): esta conversa foi gravada antes da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Veja o que ficou vetado e os cenários da proibição.
Por que tantos políticos e analistas criticam as apostas esportivas? Para Gustavo Guffo, comentarista esportivo e analista com mais de duas décadas de vivência internacional, a resposta passa por uma disputa pouco discutida: a do mercado financeiro tradicional com o mercado de apostas pelo dinheiro de quem investe e aposta.
Neste artigo, você vai entender o que Guffo chama de “guerra fria”, por que ele defende regulamentar a profissão de apostador e qual a diferença entre apostas esportivas e jogos de azar.

A “guerra fria” entre o mercado financeiro e as apostas
Guffo sabe que a tese é polêmica, mas não recua:
“Tá acontecendo hoje uma guerra fria — eu sei que eu vou ganhar hate por causa disso, mas ela tá acontecendo —, que é o mercado financeiro tradicional, o mercado das ações, do trading, dos produtos financeiros. Ele tá vendo uma saída de recursos dele para o mundo das apostas.”
Para ele, os dois mundos têm mais em comum do que parece. A diferença está na legitimidade que o tempo deu ao mercado financeiro:
“Esse mundo do mercado financeiro também é um mundo onde existe quem faz as coisas com azar e sorte e quem faz as coisas com método. Só que, como ele tá há muito tempo aí, ele é a base da economia mundial, ele tá dentro do sistema, ele é mainstream.”
Ele cita o day trade em câmbio como exemplo de algo aceito como normal no mercado financeiro, mas que guarda semelhanças com a lógica das apostas.
O maior adversário das apostas, segundo Guffo
Na leitura de Guffo, o setor financeiro faz pressão em Brasília contra as apostas justamente por ver o dinheiro migrar. Daí a frase mais forte da conversa:
“Hoje o maior inimigo do mercado das apostas não é o governo, é o mercado financeiro.”
Segundo ele, esse lado se dedica a retratar apostadores como golpistas e casas de apostas como fábricas de ludopatas. E isso chega aos políticos:
“Quando a gente vê um político falando mal do mercado das apostas, além de ele estar num lugar de ignorância, de não saber como funciona, ele tá altamente influenciado pela galera do mercado financeiro, que tem muito poder, tem muito dinheiro e tá muito estruturado no mainstream.”
Regulamentar a profissão de apostador
Para Guffo, parte da fraqueza do setor nessa disputa vem da falta de união entre os apostadores profissionais. A proposta dele vai além da regulamentação das casas:
“Não tô falando das apostas, tô falando da profissão de apostador. Que tenha uma representatividade, um sindicato, uma regra de quem pode apostar, quem não pode, o que tem que fazer, o que tem que passar.”
Ele lembra que a Full Trader já criou um MBA em apostas com uma universidade, mas acha que é preciso ir além:
“Será que não precisa ter um curso de graduação para isso? Um trabalho mais sério para que as pessoas possam dizer: ‘Não, eu sou apostador profissional, estudei, tô capacitado’.”
Na proposta de Guffo, uma profissão regulamentada teria:
- Representação, como um sindicato
- Regras claras sobre quem pode se apresentar como apostador profissional
- Formação reconhecida, possivelmente com curso de graduação
Uma regulamentação pensada só na arrecadação
Guffo critica o foco da regulamentação das casas de apostas, que, para ele, ignorou a profissionalização do apostador:
“A regulamentação só pensou assim: ‘Pera aí, essas casas bilionárias tão levando o dinheiro brasileiro para fora, não tão pagando impostos. Então vamos arrecadar aqui’.”
Apostas esportivas não são jogos de azar — e o público precisa saber disso
Outro problema, segundo Guffo, é que as apostas esportivas acabaram misturadas aos jogos de azar, que dão muito dinheiro às casas. Ele não condena quem joga, mas cobra educação:
“Precisava ter um grau de educação para as pessoas entenderem a diferença de jogos de azar com apostas esportivas, para as pessoas entenderem que o jogo de azar é uma diversão onde você vai perder dinheiro.”
Ele mesmo diz que nunca entendeu a graça do cassino:
“Eu entrei em cassinos várias vezes na minha vida e eu ficava: qual é a graça, cara, de você fazer ali uma roletinha? Você vai perder dinheiro. Qual é a graça disso? Não consegui entender. E até hoje não entendo.”
O ponto, para ele, é a consciência. Quem joga por diversão precisa saber que, no longo prazo, vai perder — e ele aplica a mesma lógica às próprias apostas múltiplas, que faz por lazer.
Conclusão: apostar por diversão exige consciência
Para Gustavo Guffo, o mercado de apostas enfrenta um adversário poderoso no setor financeiro e chega dividido a essa disputa. A saída passaria por profissionalizar quem aposta com método e educar quem aposta por diversão. Para esse segundo grupo, o recado dele é direto:
“Você tem que saber que você tá fazendo isso. Isso é consciente, adulto. Eu sei que eu vou perder.”
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Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes sobre apostas e mercado financeiro
O que é a “guerra fria” entre apostas e mercado financeiro?
É a expressão usada por Gustavo Guffo para descrever a disputa entre o mercado financeiro tradicional e o mercado de apostas. Segundo ele, o setor financeiro vê recursos migrarem para as apostas e reage com pressão política e críticas públicas.
Quem é o maior adversário do mercado de apostas, segundo Guffo?
Para Guffo, não é o governo, e sim o mercado financeiro, que teria poder, dinheiro e influência sobre políticos que criticam as apostas.
A profissão de apostador deveria ser regulamentada?
Guffo defende que sim, com representação sindical, regras sobre quem pode se apresentar como profissional e formação reconhecida, possivelmente em nível de graduação.
Qual a diferença entre apostas esportivas e jogos de azar?
Para Guffo, nos jogos de azar o jogador sabe que, no longo prazo, vai perder dinheiro: é uma diversão paga. Nas apostas esportivas existe espaço para método e estudo. Ele defende que o público seja educado para entender essa diferença.
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