Entrevistas

Quem é o apostador recreativo? Rodrigo “Loco” Alves derruba o estereótipo e defende o equilíbrio

No Boteco do Clubão, Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, explica por que não existe um perfil único de apostador e por que apostar por diversão pode ser saudável, desde que com responsabilidade.

Por Rodrigo “Loco” Alves e Gabriel "Gabica"
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Contexto (outubro de 2026): esta conversa foi gravada antes da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Veja o que ficou vetado e os cenários da proibição.

A maior parte de quem aposta não quer fazer disso uma profissão: aposta por diversão. Mesmo assim, o debate público costuma reduzir o apostador a um único perfil. No Boteco do Clubão, Rodrigo “Loco” Alves, ex-presidente da ABAESP, associação que representou os consumidores de apostas, falou sobre o apostador recreativo e o que torna essa prática saudável ou não.

Neste artigo, você vai entender quem costuma atrair o apostador iniciante, por que Rodrigo considera um erro traçar uma persona única do apostador e qual é o limite entre diversão e descontrole.

Conteúdo qualificado fala com uma minoria

Rodrigo reconhece que canais e produtos mais sérios, como o próprio Clube da Aposta, conversam com um público específico:

“Quando você pega o Clube, quando você pega produtos que são mais qualificados, você fala para um público mais qualificado, que é mais interessado, que quer de fato estudar mais, ser mais assertivo, que quer ter aquilo como um complemento mais seguro.”

O problema, segundo ele, é que esse público é a minoria — e não é quem traz gente nova para as apostas.

Quem atrai o apostador iniciante: o discurso irresponsável

Para Rodrigo, o novato raramente chega pelas mãos de quem fala com seriedade:

“A gente sempre soube que os maiores responsáveis por atrair o novo apostador acabam sendo aqueles que têm um discurso muito mais irresponsável. Porque, para atrair alguém que não conhece as apostas, geralmente a pessoa vem por alguma ilusão, por argumentos talvez não tão verdadeiros.”

Não existe um perfil único de apostador

Rodrigo lembra que o universo de pessoas que já apostaram é enorme. Ele mesmo arriscou uma estimativa, deixando claro que era um chute:

“Quando a gente pensa no universo de apostadores que existe — sei lá, vamos chutar um número aqui, 50 milhões de pessoas, porque realmente quantas pessoas já fizeram uma aposta —, é um número altíssimo.”

Diante desse tamanho, ele critica a tentativa de resumir o apostador a um estereótipo — o do jovem de até 20 e poucos anos, de classe baixa ou média baixa, que só perde:

“Quando você começa a querer traçar essa persona e achar que o apostador é isso, é um erro. Eu sou apostador, eu sou de um jeito, cada um é de um jeito. E nem por isso a gente é irresponsável.”

Do apostador ao consumidor: falar em nome de todos

Foi essa diversidade que levou a associação presidida por Rodrigo a ampliar o foco: de apostador para consumidor de apostas. Na prática, qualquer pessoa que aposta está exposta aos mesmos riscos:

“Qualquer pessoa que realiza uma aposta, que tá num site de apostas, está sujeita a um não pagamento, a uma aposta cancelada, a algum problema nesse sentido. Então é importante que a gente possa falar em nome de todos.”

Entre os problemas que qualquer consumidor pode enfrentar, ele citou:

  • Não pagamento de prêmios ou saques
  • Apostas canceladas pela casa
  • Outros problemas na relação com o site de apostas

Apostar por diversão é saudável — desde que haja equilíbrio

Para Rodrigo, o problema não está em apostar por lazer, e sim em perder o controle. A defesa dele é a do jogo responsável:

“O produto recreativo é uma coisa saudável, desde que ele seja responsável. Acho que, como tudo na vida, você tem que ter equilíbrio, você tem que ter o meio-termo.”

Ele compara o jogo a outros hábitos que, em excesso, fazem mal:

“Qualquer descontrole que você tenha, seja com jogo, seja com álcool, seja com comida, seja com trabalho, isso vai te prejudicar.”

Rodrigo ainda faz uma ressalva: tudo isso se aplica às apostas esportivas. Quando o assunto é cassino, segundo ele, “é um outro viés”.

Conclusão: o apostador recreativo não é o vilão

Para Rodrigo “Loco” Alves, a maioria dos apostadores é recreativa, diversa e não cabe em um estereótipo. O risco está no descontrole e no discurso de quem vende ilusões para atrair iniciantes. A chave, para ele, é uma só:

“Todo mundo tem que buscar esse equilíbrio.”

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Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre o apostador recreativo

O que é um apostador recreativo?

É quem aposta por diversão, sem tratar as apostas como fonte de renda ou rotina de trabalho. Segundo Rodrigo “Loco” Alves, esse é o perfil da maioria das pessoas que apostam.

Apostar por diversão faz mal?

Para Rodrigo, não, desde que haja responsabilidade e equilíbrio. Como qualquer hábito — álcool, comida ou trabalho —, o problema surge quando há descontrole.

Existe um perfil típico de apostador no Brasil?

Rodrigo considera um erro resumir o apostador ao jovem de baixa renda que só perde. Com dezenas de milhões de pessoas que já apostaram, segundo a estimativa dele, há perfis muito diferentes.

Quais problemas o consumidor de apostas pode enfrentar?

Rodrigo citou não pagamento de prêmios, apostas canceladas e outros problemas com o site. Por isso, ele defende que a representação fale em nome de todos os consumidores, e não só dos apostadores profissionais.

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Escrito por

Rodrigo “Loco” Alves, especialista convidado do Clube da Aposta

Rodrigo “Loco” Alves

Ex-presidente da ABAESP e apostador esportivo desde 2008

Rodrigo “Loco” Alves é formado em Direito e acompanha a comunidade brasileira de apostas esportivas desde 2008, quando passou a organizar uma das comunidades sobre o tema no Orkut. Anos depois, presidiu por cerca de cinco anos a ABAESP, associação que representou os apostadores esportivos brasileiros durante o debate sobre a regulamentação do setor.

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Coautoria

Gabriel "Gabigol", especialista do Clube da Aposta

Gabriel "Gabica"

Criador de Conteúdo no Clube da Aposta

Olá, sou Gabriel, Gabigol ou Gabica, como preferir chamar.

Como todo bom brasileiro, sonhei com a carreira de jogador, mas acabei ficando pelo caminho. Determinado a me manter ligado ao esporte, em 2015 fui atraído por um anúncio sobre um tal de trading esportivo. Mesmo com várias dúvidas, mergulhei nessa jornada e, em 2018, tomei a decisão de largar meu emprego formal como mecânico de aeronaves, para viver exclusivamente dessa atividade, no qual sigo exercendo até os dias atuais.

Corinthiano fiel, mas enxergo o futebol como um todo, deixando o clubismo apenas para decisões de campeonatos e dérbis. Prestes a me formar em Jornalismo, além do trading esportivo, dou minhas canetadas falando e analisando futebol em minhas redes sociais.

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